Memórias de Ilustres Desconhecidos #25 (16/03/2022)

Memórias de Ilustres Desconhecidos #25 (16/03/2022)

A D.Lurdes nasceu na Ribeira e vive lá até aos dias de hoje. Era a mais nova de um irmão. Aos quatro anos foi morar com a madrinha para lhe fazer companhia. Aos dez anos regressou à Ribeira e foi acabar a 3.ºClasse. Não quis estudar mais. Depois de sair da escola, andou a aprender costura em casa de uma senhora na Lousã. Depois foi ajudar o pai nas terras. Desempapava as terras todas, cuidava dos bois, alagava as terras, além da restante agricultura.(…)

Contou-nos pequenas histórias da sua infância:

“Uma vez ia para Ceira dos Vales, quase uma hora de caminho e a pé, com a cesta à cabeça onde levava o almoço. Ia descalça, antigamente ninguém tinha calçado. Tropecei e lá se foi o almoço. Ia levar o almoço à minha tia e a quem andava a trabalhar com os bois. Com esta queda, naquele dia, todos passaram fome e o pouco que sobrou soube-lhes a pouco. Ainda tenho outra história engraçada. Como já disse eu ia para as terras com o meu pai e um dia ao fundo da ladeira do cume eu andava a tocar o boi. Ele andava a tirar a água e eu a tocar o boi. O meu pai tinha ido, mas andava a regar longe de mim. O boi cansou-se de andar às voltas e ficou pendurado no poço. Fui logo a correr chamar o meu pai. E lá conseguimos tirar o boi. Nesse dia não tirou mais água e levamo-lo para casa. No caminho dá-lhe na “mosca” fugiu por aquelas estradas a baixo e nunca mais ninguém o viu. Passado um pouco, o boi voltou à mão do dono. Quando o meu pai chegou a casa deu-lhe uma malha, mas o boi não teve nenhum entendimento.”